Uma proposta de carta-aberta

Durante um das mesas do Colóquio, houve a proposição dos participantes  para a criação de uma carta-aberta. Confira o texto produzido durante o evento e participe.

Muitos de nós, participantes do Colóquio Internacional Tecnologia e Democracia, estamos interessados em participar do debate que orienta os encaminhamentos legislativos em torno do Marco Civil da Internet, por estarmos preocupados com a garantia de nossas liberdades democráticas, nossas privacidades individuais e coletivas e com o reconhecimento de nossos direitos como público usuário. Se você tem interesse em participar da redação da nossa carta-aberta, comente este post, indicando seu email (troque o . por [ponto] e o @ por [arroba])

Na mesa VI, internet e as manifestações contemporâneas

“As manifestações contemporâneas e a web”, mesa VI do Colóquio Internacional Tecnologia e Democracia, será um espaço de interpretações teóricas e políticas sobre as conexões entre a internet e o ativismo nas manifestações de junho e julho no Brasil.

Os pesquisadores do Centro de Convergência de Novas Mídias (CCNM) da UFMG e professores do curso de Comunicação Social da instituição, Regina Helena Alves, Geane Alzamora, Carlos D´Andréa e Joana Ziller, falarão sobre as redes urbanas e intermidiáticas que marcaram as jornadas. Para eles, as mobilizações oriundas da apropriação das ferramentas sociais e da luta pelos espaços urbanos inscrevem diferentes formas de relação entre os sujeitos e as causas que defendem, agenciamentos que conectam pautas gerais e particulares. Por isso, afirmam, é preciso notar o “caráter banal, cotidiano e frouxo dos modos circunstanciais de pertenciamentos”.

Já a denominação de “vandalismo” e “vândalos”, para ações e sujeitos, presente na cobertura midiática sobre os protestos, será analisada por Inês Correia Guedes, doutoranda do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e da UFMG (co-tutela). A pesquisadora monitorou as páginas dos grupos Black Block-RJ e Anonymous-Rio, vinculados à representação de “vandalismo” e constatou que  “apenas os BlackBlock continuam a ser demonizados pela mídia, partidos políticos e polícia”. Para sua exposição, Guedes questiona: “o que distingue Black Block dos Anonymous ao nível discursivo? O que os distingue e o que os assemelha? Quem são estes “vândalos”?”.

A mesa VI contará ainda com a presença de Elisa Ximenes (CMI e Saravá – São Paulo/Brazil), Sérgio Amadeu (UFABC) e Fábio Malini (UFES).

Na mesa V, participação e deliberação online

As possibilidades de participação e deliberação online, a análise das metodologias empregadas nesses estudos e o avanço das discussões teóricas sobre esses processos serão apresentados pelos palestrantes da Mesa V E-participation e E-deliberation, aberta por Raphael Kies,  autor de “Promises and Limits of Web-deliberation”.

Professor da Universidade Federal do Ceará e líder do Grupo de Pesquisa em Política e Novas Tecnologias (PONTE), Francisco Paulo Jamil Marques discutirá como, diante da desconfiança dos cidadãos frente à comunicação de massa tradicional,  “blogs, plataformas wiki e sites de redes sociais podem colaborar no incremento das práticas da democracia”.  Jamil é um dos organizadores do livro “Do Clique à Urna: internet, redes sociais e eleições no Brasil” (EDUFBA, 2013).

Uma avaliação crítica das análises teórico-metodológicas da deliberação online será exposta por Ângela Cristina Salgueiro Marques, professora do Programa de Pós-graduação em Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A pesquisadora sustenta, a partir de uma síntese dos principais modelos metodológicos, que a análise não pode se reduzir as trocas argumentativas em si. Para Marques, “é preciso não só analisar os argumentos proferidos em público via redes virtuais, mas a configuração de experiências e de cenas dissensuais, assim como a construção e negociação das regras às quais os interlocutores se submetem”. Ângela Marques organizou e traduziu os textos que integram a obra “A deliberação pública e suas dimensões sociais, políticas e comunicativas” (Autêntica, 2009), uma compilação de textos fundamentais para quem estuda deliberação.

Ricardo Fabrino Mendonça, professor e pesquisador do Departamento de Ciência Política da UFMG, também discutirá as medidas de avaliação de deliberação online. Diante da literatura cada vez mais crescente sobre as potencialidades da discussão política na internet, o pesquisador busca apontar três fraquezas presente nas metodologias empregadas, a saber: (1) o estabelecimento de distinções enganosas, (2) a negligência das implicações do sistema deliberativo e (3) o descaso de algumas especificidades da internet. Fabrino é o organizador do Colóquio Internacional Tecnologia e Democracia e também  um dos coordenadores do Grupo de Pesquisa em Democracia Digital. Foi agraciado com o Prêmio Political Studies Association’s Harrison Prize, pelo melhor artigo publicado na Political Studies em 2011.

Alterações na programação

Prezad@s inscritos no Colóquio Internacional Tecnologia e Democracia, em função de problemas pessoais e questões alheias à organização do evento, três palestrantes precisaram ser substituídos em nossa programação. Agradecemos a compreensão de tod@s!

Na Mesa II: Accountability, transparência e controle público, Daniel Naurin foi substituído por Sivaldo Pereira da Silva (UFAL) e na Mesa VII- Inovação e accountability, Regina Magalhães e Paulo Scofield (ALMG) substitui Sábado Girardi (UFMG). Na Mesa VI – As manifestações contemporâneas e a web, haverá ainda a participação de Inês Correia Guedes (Universidade de Coimbra/UFMG).